Código
RC238
Área Técnica
Uveites / AIDS
Instituição onde foi realizado o trabalho
- Principal: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Autores
- FERNANDA GALANTE DOURADO (Interesse Comercial: NÃO)
- Leonardo Gomes Bortoloti de Azevedo (Interesse Comercial: NÃO)
- Juliana Rocha Mendonça da Silva (Interesse Comercial: NÃO)
Título
UVEITE ANTERIOR BILATERAL COMO MANIFESTAÇAO INICIAL DE DOENÇA INFLAMATORIA INTESTINAL
Objetivo
Descrever um caso de doença inflamatória intestinal cujo diagnóstico foi realizado devido ao aparecimento de uveíte anterior bilateral não granulomatosa.
Relato do Caso
Sexo feminino, 34 anos, negra, natural e procedente do Rio de Janeiro, sem doenças oculares prévias. Encaminhada ao Serviço de Oftalmologia por hiperemia em ambos os olhos (AO) associada a desconforto ocular. Relato de artralgia há 3 semanas, associada a edema e hiperemia em articulações metatarsofalangeanas e interfalangeanas proximais bilaterais, com piora progressiva. Ao exame, apresentava acuidade visual com correção (BCVA): 20/30 em olho direito (OD) e 20/20 em olho esquerdo (OE), a biomicroscopia de AO evidenciava hiperemia conjuntival difusa leve com presença de celularidade em câmara anterior 3+/4+ e precipitados ceráticos finos, compatível com quadro de Uveíte Anterior (UA) não granulomatosa bilateral. Motilidade ocular, pressão intraocular e fundoscopia dentro da normalidade em AO. Prescritos Dexametasona e Tropicamida tópicas. Solicitada avaliação da Clínica Médica, sendo internada para investigação etiológica. Realizada colonoscopia, que mostrou alterações compatíveis com colite crônica moderada e presença de erosões, com biópsia e análise histopatológica confirmando doença inflamatória intestinal (DII) idiopática.
Conclusão
A DII pode apresentar complicações sistêmicas severas caso não diagnosticada e tratada de forma precoce. Portanto, diante de casos de episclerite e UA, sempre deve-se realizar uma anamnese cuidadosa e completa em busca de outros sintomas sistêmicos. Descrevemos um caso de uveíte anterior bilateral como manifestação inicial de DII, o que dificultou o diagnóstico visto que a maioria dos casos é unilateral. Além disso, a paciente é negra e jovem e com isso a sarcoidose também foi aventada como hipótese. Destaca-se, sobretudo, a relevância do oftalmologista na suspeita do diagnóstico clínico e sua fundamental importância na elucidação de uma doença sistêmica.